Oferta restrita sustenta preços do feijão na primeira quinzena de outubro

Os preços do feijão permaneceram valorizados na primeira quinzena de outubro, com destaque para o tipo preto. Segundo o Indicador de Preços do Feijão, calculado pelo Cepea em parceria com a CNA, a oferta limitada sustentou as cotações.

A disponibilidade menor de produto e de lotes de melhor qualidade influenciou o mercado, embora a demanda estivesse enfraquecida e as negociações fossem pontuais. O comportamento variou conforme o tipo de feijão e a região produtora.

Em Brasília, em 19 de outubro de 2026, a CNA divulgou dados sobre o período e apontou movimentos distintos para o carioca de qualidade superior, o intermediário e o feijão preto. Entre as áreas citadas estão regiões de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

preços do feijão

O ritmo de semeadura da primeira safra 2026/2027 e as condições climáticas também aparecem entre os fatores que podem influenciar a oferta futura. A análise aborda ainda as projeções de produção e estoques apresentadas pela Conab, conforme os dados reportados pelo Cepea.

Variação dos preços do feijão por tipo e região produtora

Para o feijão carioca de peneira 12 e nota 9 ou superior, o Indicador de Preços do Feijão registrou alta de 2,02% no Centro-Noroeste Goiano, de 1,65% no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e de 1,62% no Noroeste Mineiro. Em sentido contrário, as cotações caíram 0,68% em Barreiras (BA) e 0,91% em Sorriso (MT), em um período de baixa participação dos compradores e vendas pontuais.



Entre os lotes de feijão carioca com notas 8 e 8,5, as maiores retrações ocorreram no Leste Goiano, com queda de 3,46%, em Sorriso (MT), com recuo de 2,33%, e no Distrito Federal, onde a baixa foi de 2,08%. Itapeva (SP) teve movimento oposto, com valorização de 2,32%, associada à preferência dos compradores por lotes de melhor padrão.

No feijão preto tipo 1, Sorriso (MT) registrou alta de 3,30%; Curitiba (PR), incluindo os Campos Gerais, avançou 1,42%, e o Oeste Catarinense, 0,92%. A Metade Sul do Paraná foi uma exceção, com queda de 0,46% diante da menor disposição de compra, conforme os dados do indicador calculado pelo Cepea em parceria com a CNA.

No acumulado de 2026, as valorizações chegaram a 87,96% para o feijão preto, 36,23% para o carioca de qualidade superior e 38,06% para o carioca intermediário. Na primeira quinzena de outubro, as variações acumuladas por tipo foram, respectivamente, de 9,72%, 0,69% e 1,35%, segundo o indicador.

Semeadura e estoques mantêm atenção sobre a oferta futura

Até 9 de outubro, a semeadura nacional da primeira safra 2026/2027 alcançava 18,1% da área prevista, ante 21,1% no mesmo período de 2025. Segundo a análise divulgada pela CNA, as instabilidades climáticas dificultavam os trabalhos e poderiam comprometer o calendário de produção.

As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apresentadas pelo Cepea, indicavam produção nacional de 2,93 milhões de toneladas em 2026/2027. O volume representaria redução de 0,7% em relação à safra anterior.

Para os estoques finais, a projeção era de 135,8 mil toneladas, alta de 37,9%, mas equivalente a apenas 2,7 semanas de consumo interno. A análise apontava que a disponibilidade restrita poderia sustentar os preços do feijão preto e do carioca de melhor padrão, enquanto a demanda enfraquecida tenderia a manter pressão sobre o carioca intermediário.



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